MMSG organiza roda de conversa sobre violência para adolescentes
- charodri
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Atualizado: há 14 horas
Evento ocorreu na sede da instituição, no Zé garoto, e foi mediado pela professora Paula Land (UFF) que usou histórias e narrativas de princesas para falar sobre violência de gênero

Evento foi organizado pelos projetos RECRIA e NEACA:Tecendo Redes e reuniu meninas de 12 a 17 anos no Zé Garoto em SG
Foto: Divulgação
Organizados pelo Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), os projetos RECRIA e o NEACA: Tecendo Redes promoveram, na última segunda-feira (31), no auditório da sede da instituição, no Zé Garoto (SG), uma roda de conversa, sobre violência de gênero, denominada ‘Nós, princesas?’ direcionada ao público de meninas, de 12 a 17 anos, integrantes de diferentes projetos da instituição.
O evento contou com a direção e mediação da Doutora Paula Land Curi, professora titular do Programa de Pós-Graduação em Psicologia na Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora do Projeto de Extensão ‘Mulherio’.
A roda de conversa foi planejada para fechar o mês de março e a agenda de celebração sobre a luta das mulheres contra as violações de direitos, em suas diferentes vertentes, tendo como focos os ciclos e os rompimentos das violências.
Cerca de 15 adolescentes participaram da ação. Os organizadores resaltaram a importância do debate sobre temas relacionados ao gênero para construir um pensamento e uma leitura crítica sobre a sociedade, além de promover a proteção das crianças e adolescentes em situações de violência

Professora Paula Land (máscara) fez menção às narrativas românticas das princesas para ilustrar as violências de gênero
Foto: Divulgação
‘Usamos histórias de princesas para refletir sobre as violências’
De acordo com a professora Paula Land, o objetivo da roda de conversa foi utilizar histórias de princesas, desde as mais antigas (Branca de Neve) até as mais recentes (Moana), para fazer uma reflexão sobre a violência de gênero e a dificuldade das mulheres em romper e provocar fissuras ao patriarcado.
“As meninas participaram atentamente da atividade. Passaram a comparar o que viram nas telas, nos filmes da Disney, às histórias e outras versões que tiveram acesso através da leitura. Assuntos muito importantes surgiram, desde um beijo de amor verdadeiro, dado com as princesas dormindo, até discussões bem mais complexas”, lembrou Paula Land.
‘Narrativas históricas deram lugar às vivências reais’
De acordo com Land, as narrativas deram lugar às vivências da vida real, de assédios, violências domésticas, possíveis assassinatos, ameaças de assassinatos, rotas críticas e, especialmente, críticas contundentes às instituições escolares por onde essas adolescentes passaram/passam e o modo como essas instituições de ensino conduziram várias violências de gênero contra as meninas.
“Como falamos da Disney, não hesitei de falar de uma campanha feita com personagens da Disney e da Hanna-Barbera para alertar sobre a violência doméstica. Eles colocaram a imagem de princesas agredidas marcando a covardia de seus príncipes. É importante ressaltar que veio de tudo um pouco: trabalho doméstico, automutilação, casamento forçados, relações abusivas com consentimento dos pais. É importante frisar sobre a potência desses encontros para criar fissuras no patriarcado e falarmos sobre a dificuldade em romper ciclos de violência”, explicou a professora.

Histórias das princesas Branca de Neve e Moara foram serviram de ilustração para refletir sobre as violências de gênero
Arte: Divulgação
‘Foi um espaço de muitas trocas e reflexões’
Uma das organizadoras do evento, a psicóloga Ana Clara Soares, que integra o projeto Recria, falou sobre a interação entre as participantes e a importância do espaço de escuta e acolhimento às adolescentes.
“Foi interessante perceber como as meninas interagiram e gratificante trazer a professora Paula Land, que, além de ter sido importante na minha formação acadêmica, é uma profissional de referência no campo de discussão de gênero. A professora conseguiu conversar com as adolescentes e fomentar nelas uma visão crítica sobre gênero e violência, além de proporcionar um espaço de escuta e acolhimento com o objetivo de fortalecê-las nessa luta”, ressaltou a psicóloga.
‘É uma coisa que realmente acontece na vida real’
“Achei muito legal. Nunca havia participado de uma palestra ou roda de conversa sobre esse tema. Foi bacana usar a história das princesas como exemplo. É uma coisa que realmente acontece na vida real”. (Sabrina, 14 anos)
‘O exemplo das princesas foi muito legal’
“Gostei muito, pois nunca havia falado dessa forma sobre esse tema. O exemplo das princesas foi muito legal, pois, infelizmente, são situações que acontecem no dia a dia”. (Maria Eduarda, 14 anos)
‘Adorei a forma como a professora tratou o assunto’
“Adorei a forma como a professora tratou o assunto e o ponto de vista ao usar as histórias das princesas para falar sobre as violências”. (Esther, 14 anos)
Projetos atendem crianças e adolescentes em três municípios
O projeto Recria, que teve início em abril (2024), é subsidiado pela Subsecretaria de Política Inclusiva da Casa Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro e tem o objetivo de garantir o atendimento continuado e interdisciplinar a 100 crianças e adolescentes e, indiretamente, a 400 famílias em situação de risco social, de desemprego e pobreza. O projeto atua no contraturno escolar atende em núcleos no Centro, Complexo do Salgueiro e Jardim Catarina.
Já o Projeto Neaca:Tecendo Redes, que tem apoio da Petrobras, atende demandas relativas às violências domésticas e/ou sexuais. O projeto abrange os municípios de São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias com o objetivo de contribuir para a promoção, prevenção e garantia dos direitos humanos de mulheres, crianças, adolescentes e jovens (até 29 anos).
Em caso de ajuda, os núcleos disponibilizam seus serviços, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17hs, nos endereços e telefones abaixo:
NEACA (SG)- Rua Rodrigues Fonseca, 201, Zé Garoto. (2606-5003/21 98464-2179)
NEACA Primeira Infância (SG)- Rua Rodrigues Fonseca, 313, Zé Garoto. (21 96750-1595)
NEACA (Itaboraí)- Rua Antônio Pinto, 277, Nova Cidade. (21 98900-4246).
NEACA (CAXIAS) – Rua General Venâncio Flores, 518, Jardim 25 de Agosto. (21 96750-3095).
Recria - Rua Rodrigues Fonseca, 313, Zé Garoto. (21 96750-1595)
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